Direita, Esquerda e suas visões de mundo
Há um livro muito interessante do economista americano Thomas Sowell intitulado de “Os Intelectuais e A Sociedade” que aborda os comportamentos dos intelectuais perante a sociedade em diversos aspectos. E um dos capítulos aborda a existência de duas visões de mundo: A visão do Intelecutal Ungido e a visão Trágica.
A visão do Intelectual Ungido segundo Sowell, é a visão de que todos os problemas do mundo são causados pelas estruturas sociais que a humanidade criou, em especial a religião, e que se nos livrarmos destas “amarras” sociais nos tornaremos livres e os problemas da humanidade deixarão de existir. Para ilustrar esse pensamento, Sowell cita Jean-Jacques Rosseau em “O homem nasceu livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado” onde está clara a ideia de que os males da sociedade são culpa das convenções sociais que existiam à sua época assim como é culpa das instituições sociais também.
Em contraponto ao Intelectual Ungido, o autor apresenta a Visão Trágica que consiste na clara ideia de que os males da humanidade provém da própria natureza humana e que as restrições sociais existentes são “a mais tolerável das imperfeições” e que a civilização consiste na mitigação de insuficiências humanas através da negociação de alternativas dolorosas onde a promoção de um determinado efeito na sociedade pode gerar feridas em outra parte da sociedade.
O livro não aponta os intelectuais de esquerda como o problema, ele aponta a classe de Intelectuais por ocupação e que se posicionam como os salvadores da pátria ao sugerir relações que contradizem as posições existente, estas pessoas são chamadas pelo autor de Intelligentsia. Essa categoria inclui indivíduos que empregam o seu tempo na mudança social e cultural da sociedade, ela não inclui o intelectual que se contenta em compreender a sociedade e a cultura. O termo Intelligentsia é um termo muito pouco conhecido que refere-se basicamente a engenheiros sociais que querem desenvolver e manter formas de mudar a sociedade.
O apresentado por Thomas Sowell é que o comportamento da Intelligentsia, vulgos engenheiros sociais, é basicamente a vontade de mudar a sociedade em si, não se contentando apenas com o conhecimento acadêmico. E o problema é que a vontade de mudar a sociedade parte do próprio orgulho destes intelectuais, e não das reais mazelas da humanidade, pois se partissem das necessidades humanas, deveriam perceber que as próprias convenções sociais preexistentes já representam uma tentativa de solução e não a causa dos problemas da sociedade.
É exatamente aqui que vemos a diferença entre a esquerda e a direita, a esquerda vê que os efeitos sociais indesejáveis possuem causas também sociais, toda a relação de causa e efeito da sociedade está dentro dos estudos sociais. A direita parte do oposto, os efeitos sociais tem causas não sociais, como a biologia ou o behaviorismo(campo pertencente à psicologia) e com isso a direita propõe que o início e meio das discussões sociais estão em campos não sociais.
Isso traz um custo muito alto para a sociedade, pois as tratativas legislativas e ideológicas ocorrem sem levar em consideração a realidade. Há um exemplo clássico, no final do século XIX, mais especificamente em 1897, a Assembleia Geral do estado de Indiana nos EUA tentaram mudar o número pi de 3,14 para 3,2. A proposta foi aprovada por unanimidade e foi apresentada ao congresso (que provavelmente a aprovaria também) para que fosse incorporada à legislação do país. Foi neste momento que Clarence Abiathar Waldo, matemático, explicou aos senadores que a proposta era absurda e um dos senadores disse que “poderiam também criar uma lei que obrigasse a água a subir pela encosta de uma montanha, já que se tratava de estabelecer verdades matemáticas por lei”, com isso a proposta foi arquivada em definitivo.
Na questão acima, o problema não foi a tentativa de mudar o número pi, mas sim mudar através de uma lei. Se fosse uma publicação acadêmica que fosse discutida em algum evento científico não haveria problema algum.
Essa história pode parecer banal, mas hoje a mesma coisa ocorre em praticamente todo o mundo ocidental de uma forma mais elaborada que atende por Identidade de Gênero. Uma ideologia que diz que homens e mulheres não são os machos e fêmeas da espécie humana, mas sim uma definição social que pode ser construída ou desconstruída. Só que as diferenças corporais entre homens e mulheres, são levadas em consideração na proposição de leis. Aí são aprovadas leis que podem ser desrespeitadas com uma simples decisão pessoal.
Esta diferença nas visões do mundo é propagada a cada segundo nas discussões sobre a sociedade em todo o mundo, porém não é vista com a clareza que foi utilizada por Thomas Sowell. A verdade e constituição do mundo em que nos encontramos não é opcional, sendo assim, é imprescindível balizar nossos argumentos nos conceitos exatos e da natureza.
O mundo não começa no social.
Fontes:
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/10/ciencia/1486759726_219935.html
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