O Capitalismo é contrário à Ecologia?
Esta é uma pergunta que praticamente não é feita em nossa sociedade, sua resposta é basicamente assumida como sendo uma afirmativa, como se fosse uma constante da natureza e da sociedade. Em particular, os efeitos dessa assunção são intelectualmente devastadores, visto que os acadêmicos e profissionais da biologia geralmente não entendem de engenharia de produção ou de administração de empresas e vice versa, isso influencia as pesquisas realizadas pelas universidades, o apoio da população às propostas de mudanças na legislação e os comportamentos das empresas em relação à publicidade; e esses eventos mudam a perspectiva da sociedade em relação ao capitalismo, geralmente cria uma aversão a um sistema econômico que preza pela liberdade em sua essência.
O capitalismo é um sistema econômico que funciona sobre as relações entre as empresas e os indivíduos. E na condução da gestão das empresas, existe um conceito denominado Cadeia de Suprimentos. A cadeia de suprimentos é o conjunto de processos e organizações, para selecionar matérias-primas, transformá-las em produtos ou serviços e oferecê-los aos clientes. A cadeia interliga fornecedores, instalações industriais, centros de distribuição, varejistas e clientes com a finalidade de fornecer mercadorias e serviços desde a fonte até o ponto de consumo. Ela é melhor representada pelas figuras abaixo:

A parte que responde a este post é a parte chamada de Upstream, que consiste nos processos e organizações que representam a entrada dos insumos (matérias-primas) em uma empresa. No Upstream as organizações são divididas em fornecedores de primeiro, segundo e terceiro nível. Os fornecedores de primeiro nível são aqueles que se entregam produtos/serviços diretamente para uma empresa, já os de segundo nível fornecem para os fornecedores de primeiro nível e assim sucessivamente. Conforme podemos observar na imagem acima sobre a Cadeia de Suprimentos, cada fornecedor possui seus respectivos fornecedores e estes possuem menos influência sobre a empresa consumidora.
Pequenas, medias e grandes empresas estão sob este efeito, porém apenas as grandes empresas e que possuem uma dependência estratégica muito grande de seus respectivos fornecedores, se preocupam com isso a ponto de mapear esses processos e investir em sistemas que controlam esses processos.
Existem empresas onde a dependência dos fornecedores pode ser tão grande, que caso hajam problemas na relação comercial, pode acarretar até mesmo na falência de uma empresa ou na transformação do fornecedor em concorrente, devido ao poder que um fornecedor tem na criação de um produto.
A Amazon é um exemplo disso, a Amazon durante muito tempo foi uma livraria on-line que se transformou em uma loja virtual de produtos diversos, com isso claramente ela precisava de servidores de hospedagem de alta performance. Porém a própria Amazon decidiu se tornar uma empresa de servidores de hospedagem, com certeza isso deixou alguma(s) empresa(s) com muitos dólares a menos, talvez o suficiente para impactar severamente suas receitas.
Invariavelmente, a cadeia de suprimentos vai até a empresa que realiza a extração da matéria-prima da natureza. Para tal tarefa, é necessário que haja matéria-prima na natureza e que extraí-la tenha um custo aceitável para as operações de quem a vende. Mas o que acontece caso seja inviável, seja pelo custo ou por escassez, a extração dos recursos da natureza?
É aí onde entra a reciclagem, que as pessoas atribuem a reciclagem à movimentos não capitalistas, mas na verdade as próprias empresas dependem da reciclagem. Basta observar a reciclagem do lixo eletrônico, em especial dos itens de informática, que possuem placas de silício com ouro. São elementos de difícil extração na natureza, sendo mais fácil pagar pelo reaproveitamento dos produtos já descartados.
Há um outro caso que pode ocorrer devido as operações das empresas, o descarte dos restos das produções ou das prestações de serviços. O problema nestes casos é que geram alterações nocivas em relação à extração de outras cadeias de suprimentos na economia. Um exemplo é a tragédia de Mariana, uma cidade cujos rios afluentes foram soterrados com lama e substratos de minério, esse acidente gerou problemas no solo de diversas áreas que eram transpassadas pelo Rio Doce e isso impossibilitou o plantio nas terras de diversos agricultores, que fazem parte da cadeia de suprimento de muitas empresas.
O exemplo acima pode dar a entender que o capitalismo simplesmente não se importa com o meio ambiente, geralmente é apenas até aqui que os ambientalistas e os esquerdistas vêm. Porém é a partir daqui que é necessário compreender que o capitalismo não é composto de uma empresa apenas, mas sim de todo o mercado e que tanto o beneficiado quanto o prejudicado no exemplo citado neste texto são capitalistas.
Apesar da ideia da esquerda de tentar dividir toda a sociedade em classes, isso não se configura como verdade no capitalismo. Dois representantes de uma mesma “classe” podem concorrer entre si e podem tomar decisões que prejudicam outros representantes da “classe”. A ideia principal é entender que o capitalismo é um sistema de concorrência e não de classes.
Porém como o capitalismo é um sistema de concorrência, a existência de um mediador entre os vários participantes do Mercado, agrega um valor imprescindível para todas as partes. E como o capitalismo é orientado ao valor (seja de pessoas, atividades, produtos, serviços ou instituições), a regulação das práticas de descarte e obtenção de matérias primas das empresas é um fato que agrega ao capitalismo, ao invés de combatê-lo.
Um fato semelhante acontece com a lei SOx (Sarbanes-Oxley) que foi criada nos Estados Unidos para averiguar a veracidade nos balanços financeiros de empresas com capital aberto na Bolsa de Nova Iorque. A existência de uma regulação que garante que os investidores não serão ludibriados é vantajosa, mesmo que isso represente um custo para as empresas em si com auditorias (internas e externas).
Geralmente, a visão do gestor vai apenas até o entendimento da cadeia de suprimentos, e o dos ativistas ambientais vai apenas até a ideia de que as empresas prejudicam o meio ambiente tanto na extração de insumos quanto no descarte de substratos. E isso faz com que haja lobby ideológico nas faculdades e nas organizações, implicando em especial na utilização dos eventos nocivos à natureza por parte dos representantes de esquerda para fazer campanha política.
Fontes:
https://meusucesso.com/artigos/logistica/o-que-e-cadeia-de-suprimentos-322/
2 Comentários
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