O Cristianismo é de esquerda?
Um dos argumentos que invariavelmente nos deparamos em nossa vida, em especial nas universidades, é o do Cristianismo de esquerda. E esse é um ponto de importância singular e que será o divisor entre o que entende o sacrifício de Cristo e aquele que não o entende.
Mas então, Cristo é de esquerda ou não?
Jesus não fez menções a ideologias políticas em sua jornada, porém suas ordenanças de amor ao próximo e seus ensinamentos através de parábolas são utilizados para nortear a ideia política que ele possuía aqui na terra. O problema é que as parábolas e ordenanças são interpretativas em sua maior parte. Ou seja, cada representante político pode puxar Jesus para o seu próprio lado se assim desejar.
Entretanto, o cristianismo possuiu outros profetas, juízes e sacerdotes que sempre apontaram o mesmo caminho: o arrependimento. Jesus não deixou de pregar o arrependimento também, porém como o foco do ministério de Jesus eram os Judeus, a maior parte dos ensinamentos foca nos milagres e na interpretação que os Judeus possuíam da Lei de Deus.
Quando avalia-se as missões dos apóstolos que é a pregação da palavra àquele que não crê, vemos que o ponto sempre é o mesmo. O arrependimento é o primeiro passo para a reconciliação com Deus e a aceitação de Jesus.
O arrependimento é necessário porque é através dele que entendemos que somos pecadores e precisamos modificar nossas atitudes a fim de evitar os erros.
E a política com isso?
Conforme apresentado no nosso post “Direita, Esquerda e suas visões de mundo“, a esquerda e a direita estão baseadas em ideias diferentes. A esquerda parte do princípio que somos perfeitos e que nossos problemas decorrem de nossas convenções e instituições sociais. Já a direita entende que nossas prerrogativas sociais são ferramentas, ainda que rudimentares, para a resolução dos nossos problemas e nos permitem uma fina camada de civilidade.
Muitas dessas questões sociais são costumes e comportamentos que são incentivados ou marginalizados. E esses costumes geram seus respectivos efeitos na economia e sociedade.
Aqui está a diferença entre ambos: a direita bebe na mesma fonte do cristianismo que é o fato de que somos fundamentalmente falhos, já a esquerda diz que os nossos problemas surgem em nossas organizações sociais, que somos fundamentalmente perfeitos.
Esta diferença ecoa tão alto quanto possível. Por isso observamos que muitos dos expoentes de esquerda surgem do próprio ateísmo e os representantes de direita são em sua maioria cristãos.
Igualdade acima de tudo
O cerne do problema é que a esquerda defende três pontos impossíveis entre si: Igualdade, diversidade e liberdade. Ora, não é possível ser igual já que somos diferentes, a não ser que sejamos impedidos de manter o comportamento que nos torna diferentes. Porém se a diversidade é desejável, porque impediríamos comportamentos diferentes?
Segundo o cristianismo e a direita não somos iguais e por isso não há sentido em dizer que buscamos a igualdade já que por sermos diferentes a igualdade não é o alvo. Já a esquerda entende que não somos iguais exatamente por que nossas estruturas sociais não permitem e portanto devem ser destituídas ou doutrinadas para a igualdade.
Isso faz diferença quando uma pessoa acredita que a pobreza pode ser construída e que o fato de alguém ter dinheiro torna um terceiro em miserável. Isso faz diferença quando acredita-se que as termos mais homens em áreas científicas se deve apenas à educação recebida e que não há influência nenhuma de características hormonais e comportamentais.
O ápice desta ilusão da esquerda é o próprio conceito de homem e mulher, que segundo os esquerdistas é um conceito social e que não deveria ser defendido, pois traz apenas preconceito. Porém na agenda feminista, que constitui parcela majoritária na esquerda, há um horror à agressão às mulheres, pois as mesmas são mais fracas fisicamente. Mas como elas seriam mais fracas, já que o conceito de mulher depende de auto declaração?
Conclusão
O cristianismo não é de esquerda, pois parte do princípio que as mazelas não são culpa das instituições, mas sim dos nossos próprios maus desejos e que ao nos sacrificarmos alcançamos uma condição melhor. Este conceito cristão fundamenta o espectro político de direita e é por isso que as agendas se alinham.
Não há uma menção política por parte de Jesus, até mesmo porque os termos não haviam sido cunhados nos dias em que ele esteve na terra, mas o cristianismo é a base da direita.